Friday, April 07, 2006
AGRADECIMENTOS - E RECORDAÇÕES
Antes de começar a inventar mais um texto, venho por esta via (está muito clássico) tornar "blogosférico" o meu agradecimento a todos os que enviaram os seus comentários e naturalmente aos que também me visitaram. Posto isto, devo dizer que sou um cata-vento. É muito natural que de um momento para o outro eu não agrade a ninguém, nem mesmo a mim...
Até já.
Meia-noite...
A última vez que manifestei o meu descontentamento (mais à frente explicarei porque resolvi escrever sobre o tema) em São Miguel tem para aí uns bons anos. O dormitório do Convento de Santa Bárbara estava e está "altamente" colonizado por ratos. Estes, quando a fome aperta, resolvem ir à procura de comida atravessando a rua onde moro. Porque conheço o perigo mortal da leptospirose entendi ser meu dever de cidadania, perdão de cidadão autónomo alertar a comunidade (não aquela que é representada pelo Prof. Freitas do Amaral nem pela jornalista Alzira Silva) que me envolve. Elaborei um jornal de parede onde chamava a atenção para aquela enormidade. A par disso, pendurei os ratos que consegui apanhar na rua em paineis publicitários iguais aos que utilizava nas minhas passadas campanhas políticas. Não contente com isso estendi um lençol de linho branco com inscrições contra a Direcção Regional da Cultura, na minha própria casa. Utilizando o humor sem ofender (penso eu). Tanto assim foi que o antigo Director Regional, Prof. Duarte Fagundes, queria fazer colecção de alguns dísticos. Não foi possível aceder à sua pretensão por causa dos coleccionadores de coisas "raras" de São Miguel. Um dia após este despautério (por muitos considerado) um responsável da Secretaria de Habitação (como muda de nome todos os semestres não sei qual o resto da designação) enviou um funcionário para arrancar a publicadade enganosa... Levou o nóvel e prestante serviçal funcionário meio público meio privado (contratado a termo certo?) tudo o que na sua cabeça achou subversivo e que agradaria ao chefe (confesso que não sei de quem se tratava. Era um chefe qualquer!). Levou os ratos mortos pensando que estavam vivos naturalmente para que confessassem a responsabilidade de tais desmandos. E tudo ficou na mesma! Os ratos, por esta altura, já devem ter tetranetos. O Director Regional foi promovido e eu fiquei com a fama de ainda ser mais maluco... Acontece que só naquele ano morreram da doença dos ratos (escrevo assim para melhor percepção... às autoridades, claro) trinta e oito açorianos... Compreenderam agora o que é que quero dizer com "micalês de fila". Estamos rodeados por ratos por todo o lado e por rídiculos que julgam os outros por si. Deixar os ratos com vida era uma forma de me assassinarem. Só esta semana é que percebi como se pode matar de várias maneiras...
Quanto à primeira manifestação. Corria o ano de 1953 quando eu mais um colega meu, hoje, Juiz do Tribunal da Relação, conseguimos arranjar pincéis e tinta e fomos com esse material escrever nos muros do Campo de Jogos do Liceu palavras que caracterizavam alguns professores de um modo não aceite pela padralhada de então e pelos agentes do salazarismo que eram quase todos os professores, padres, contínuos, etc. Nunca mais acabava esta diatribe... Resultado? Fomos apanhados pelo senhor Manuel do Jardim e pronto. Eu chorava, ele chorava. Eu cheguei a urinar pelos calções. Meu colega? Não sei! Ele é juíz que se confesse. Bem, o Manuel do Jardim apercebeu-se por uns instantes da "gravidade" da questão e deixou-nos apagar os escritos. Mas, foi contar ao Reitor o que tínhamos feito, naturalmente com medo de que um tenista que era por vezes substituto do Governador Cívil e que jogava no nosso campo de ténis não fosse denunciá-lo. Pouco tempo depois as minhas notas desciam assustadoramente. Nem mesmo copiando os exercícios eu tirava boas notas. Uma vez apanhei um exercício (teste) com antecedência e pedi a um professor de um outro estabelecimento de ensino (licenciado) que mo resolvesse... "Ele" apanhou sofrível!!! O ponto era da disciplina de Português. Mais tarde, fui expulso por uma razão de cacaracá, dois dias. E o pior não tinha sido eu o criminoso. Bem, o Arm... teve que se pôr na alheta e foi no continente que tirou o sétimo ano. E quanto a mim..., foi preciso fazê-lo no Liceu Pedro Nunes. Perdi-me, e já nem sei como dar a volta ao texto. Não interessa! Isto aqui é imprensa livre. Tinha qualquer coisa na ideia. Bem, aqui vai mais uma manifestação. Sentei-me em frente ao televisor que transmitia cenas da RTP-Açores. Tratava-se de uma entrevista feita a um médico um todo nada rural que tinha sido premiado com uma medalha por ter sido o número um da sua profissão. Daqui oa meus parabéns! Disse ele, na sua falta de conhecimentos históricos contemporâneos que no passado ano de 75 do século passado, tinha queimado uma bandeira da FLA. Disse o médico José Augusto Medeiros que a bandeira da FLA distinguia-se por ter o Milhafre protegendo nove estrelas que representavam as ilhas dos Açores; que a verdadeira era a que apresentava aquela ave tendo as estrelas por cima das asas. É preciso por as coisas no seu devido lugar. Quem impôs aquela bandeira verdadeira ao povo foi a outra parte da FLA que atingiu, através do voto, o poder. Melhor dizendo, que conseguiu assegurar cama, mesa, roupa lavada, vencimentos principescos, mordomias, casas, etc. Tanto assim é que o Partido Socialista da altura (muito diferente desta agência de empregos em que se transformou, imitando o antigo PSD) negou votar a sua aprovação na Assembleia da Horta onde dizem existir um lugar onde a expressão oral é muito bem paga. O povo votou PSD/Mota Amaral durante vinte anos... Hoje, a bandeira é de todos os açorianos. Mesmos os da FLA que viraram autonomistas. Além disso, o médico José não percebeu que as estrelas foram assim colocadas à imitação dos símbolos do Espírito Santo, cujo hino toda a FLA utiliza como seu. São as armadilhas da política. O jornalista entrevistador devia-lhe ter feito a seguinte pergunta, já que é um manifestante com melhores resultados do que os meus: quem acha que devia interpretar junto do governo canadiano o interesse dos milhares de irmãos nossos que vão ser expulsos e que ninguém sabe o que lhes reserva o futuro? O Prof. Freitas do Amaral ou um açoriano verdadeiro? Eu perguntava ao médico José se ele era capaz de escalar um edifício onde é proíbido colocar a nossa bandeira legal para a pôr na fogueira? É que, existem locais nos Açores onde os nossos símbolos não podem ser hasteados. Existem "açorianos" para tudo. Até para fazerem como os nazis que queimavam aquilo que não correspondia às suas ideias.
Manuel Melo Bento
7/4/2006