Wednesday, April 05, 2006
.COMENTANDO AS FOTOS DAS MANIFESTAÇÕES
Seguem dentro de momentos os comentários adequados...
O prof. Rainer Daehnhardt dizia num prefácio que teve a gentileza de me fazer em "A FILOFLA" que eu era um açoriano de quartro costados. Na verdade, os meus antepassados devem ter sido obrigados a vir para os Açores. Não havia cá nada naquele tempo. Devem, no início da colonização, ter desbravado a terra à custa do esforço braçal Depois foram-se adaptando. Uns continuaram voltados para a terra, outros enveredaram pelo comércio e pela indústria. Quando se junta uns patacos a mais, o que se segue são os estudos, pois a Bíblia cantada aos domingos, apesar de ser um veículo de cultura é muito restritiva. Quando se alargam os horizontes cerebrais, o pior "inimigo" que nos surge é a análise, depois vem com pezinhos de lã a crítica e finalmente o juízo. Uns fazem este percurso no interior da caixa encefálica. Outros gostam de se expor. Sujeitam-se! Ainda há os que por comodismo difundem aquilo que não sentem. E fazem-no para sobreviver. Existem forças que os obrigam a tal procedimento. Paciência! Ao longo dos anos fomos aprendendo que isto aqui se era bom para alguns, era péssimo para para outros: os que não tinham futuro e viviam mal. Tanto que é assim que daqui emigraram. Não voltaram para trás, porque como que por instinto (que também ajuda a actuar e a pensar) sabiam que a coisa no "Continente" não dava nem para os feijões. Chupámos com monarquias (portuguesa, espanhola e inglesa), repúblicas, polícias políticas,etc. Fomos sempre um povo calado e calados (com algumas excepções pontuais) continuamos. Eram as ameaças das fogueiras, das prisões, da chibata, do Inferno judaico-cristão,etc. Cultivámos os gemidos e o ranger dos dentes. Criámos corpos calejados de tanta sujeição. Num dia não muito longe dos dias de hoje, gritaram os ventos da liberdade. Era uma mentira de todo o tamanho. Porque tão depressa nos julgávamos livres e quando livres gritámos ameaçaram a nossa liberdade e confinaram-na a outros modelos de sujeição mais sofisticada. Faz parte da existência dos povos, quer sejam do tipo tribal, quer sejam do tipo "evoluído". Uns são mais sujeitos do que outros. Habituámo-nos a ser ordeiros politicamente falando por cobardia ou por proveito. Porque quanto ao resto, estamos muito longe de o ser. Fomos até há pouco um produto cultural português. Positivo, diga-se em abono da verdade. Só que fomos invadidos por outras culturas que nos reviraram dos pés à cabeça. A família já não é a família! Os padres nossos orientadores (espirituais, do ritual e dos bons costumes) já não são os mesmos: modernizaram-se... Os políticos que antes gritavam em uníssono hossanas aos chefes do Império, hoje berram, uns para um lado outros para o lado oposto. Porém, sempre dentro do regimento dos maestros externos. O partidarismo antipatriótico da actual política portuguesa assentou arraiais entre nós. "Elegemos" os nossos políticos para um determinado contexto e tão depressa os seus chefes continentais dão a volta por baixo (ou por cima) eles são os primeiros a expressarem a mesma confiança política de todos os ângulos, com medo de serem despojados dos seus "empregos". Veja-se, por exemplo, as opções de Durão Barroso quando era primeiro-ministro. Apoiou a América (da qual fazemos parte corporalmente, pois lá corre com o nosso sangue milhão e meio de açorianos) no ataque ao Iraque. De um momento para o outro, ei-lo a dizer que se tinha enganado ou fora enganado. Não tarda muito que os "políticos caseiros" se apressem a tocar a viola pelo mesmo tom. Enfim, misérias! Mas isto faz parte da nossa vida. Houve tempo em que as comunicações eram muito rançosas o que se traduzia por uma mudança de políticas atrasadas. Mantínhamos juramentos por mais tempo do que os continentais... Porém, o pior de tudo são as nossas divisões internas (vide fotos). Estas encarnam tal como lá em esquerdas e direitas (que agora não se sabe o que isso é). São as clientelas de um lado a espreitarem a sua vez para darem um pé de dança com a herdeira... Não temos necessidade de nos dividirmos. Para quê? Há tão pouco por aqui! As nossas discordâncias internas estão directamente ligadas ao seguro de vida (emprego e tachos e etc.) de cada um. E é por isso que tudo passa por nós sem termos tempo de perguntar nem decidir sobre o nosso destino. É por isso que outros falam por nós e por nós decidem. Quando nos propomos assumir o nosso destino ridicularizam-nos. Os mestres do ridículo têm por cá os ecos dos que colaboram por necessidade. Precisam de comer, coitados. Penso que há duas fotos que ilustram esta maneira de ser apesar de antigas. Os cabelos grandes e os gritos de ódio foram reciclados. Estão mais de acordo com os tempos modernos e da faladura mediática. É a democracia. Caricata, mas democracia! A foto dos suecos (?) porque será que a meti nesta embrulhada? Não sei! Talvez seja por ter saudade de manifestações... Autorizadas, claro!
MANUEL MELO BENTO
5 de Abril de 2006
MANUEL MELO BENTO
5 de Abril de 2006