Tuesday, February 13, 2007

 


A GRANDE VOLTA DA MULHER

Para mim o que esteve em causa no Referendo do passado dia 11 pode ter todas e as mais variadas leituras. Um regime democrático - que é o que usufruímos hoje - permite às pessoas opinar e intervir sobre a vida em sociedade e tudo o mais. Ninguém está ou deve estar sujeito a pressões de qualquer espécie quando exprime o seu modo de ver e de sentir. Quero fugir de posições extremadas, pois elas, embora tenham o seu papel importante, não permitem que se cresça em entendimento. Vamos discutir tudo para tudo esclarecer. A um povo esclarecido é motivo de orgulho pertencer-lhe. Como é sabido por aqueles que se interessam pela liberdade nela mesma (não confundo a liberdade “civilizada” com a liberdade de certos grupos que sem profundidade e entendimento a desvirtuam) que viver em liberdade é um acto colectivo. Não pode existir liberdade de grupos nem de secções. Para isso, ninguém pode estar acima das leis. Isso custa e muitos não o aceitam. Daí assistir-se a comportamentos corporativos indignos de uma abertura sã de espírito. Daí viver-se a maior parte do tempo ver construir-se um mundo de interesses e de mentiras. O facto de estes “mundos” existirem não quer dizer que não tenhamos de o enfrentar com racionalidade, conhecimento e respeito pela dignidade do outro. São momentos de cultura que é preciso realizar. Este texto já está longo para me posicionar perante aquilo que penso vir a ser uma grande volta na nossa mentalidade relativamente à mulher. A mulher, num Estado de Direito, não podia ser entendida (e eu vou ser muito delicado) como peça de estudo e interpretação por um ser que se lhe diz semelhante. Nesta última semana, do tempo de todas as análises, aborreci-me imenso em ver os homens a quererem comandar uma coisa a que não foram chamados por via de capricho da natureza. As mulheres passaram procuração a diletantes zângãos para interpretar o seu sentir interior? Mas que atrevimento! Que triste figura falar por elas no que diz respeito aos seus mecanismos cerebrais! Este Referendo serviu para a mulher se livrar de grilhetas e poder ela mesmo ser senhora do seu pensamento como acontece com os homens. Um compromisso global não quer dizer à partida que se tenham de sujeitar. E, então a liberdade? Entrar na consciência da mulher não será crime? A mulher só pode ser responsável se tiver sempre o homem a seu lado? Que tipo de igualdade se queria forjar? A partir de domingo espero poder contar com “outra” mulher: não aquela que sempre foi conscientemente obrigada a ser mulher do lado de fora…
manuelmelobento

Comments:
Caro Mélito.
É caso para dizer: cada tiro, cada melro. Há momentos em as consciências são "travestidas" de acordo com a necessidade de salvaguardar argumentos indefensáveis.
E, afinal, o exercício demecocrático de respeitar a vontade colectiva dum país, nem parece assim tão difícil.
 
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