Tuesday, February 20, 2007

 


REFERENDO À INDEPENDÊNCIA

Na minha crónica de ontem, no “azorespublicum”, esqueci-me de alguns pormenores que hoje vou procurar compor. É sabido que não interessa ao Poder Central uma ligação política entre os Açores e Madeira porque de lá tem partido uma certa postura de rebeldia e afrontamento que tem como cabeça de cartaz Alberto João Jardim. O Presidente do Governo Regional da Madeira aproveita o palco da Quinta da Vigia para fazer ideologia política e ao mesmo tempo “abrir” as cabeças de um povo pouco dado a pensar por si. Uma das grandes vitórias de AJJ foi pôr o povo a pensar. Veja-se o resultado dos inquéritos às suas actuações junto da população elaborados pelos canais televisivos. A “Intelligentzia” portuguesa, em vez de permitir uma comunhão de comportamentos à portuguesa unindo os três territórios, resolve filtrar e censurar o que lá se passa directamente. O que sabemos da Madeira não é senão o que querem que saibamos. Trata-se de um erro de todo o tamanho, pois se a Madeira enveredar pela independência o facto terá tanta importância quanto a teve Cabo Verde. Nada sentiremos a não ser o facto de ficarmos com a saudade do bailinho. A Madeira tão perto fica tão longe. A estupidez da política portuguesa, ainda com vertente colonialista, esquece-se de nos unir. Não existe uma sintonia política entre os três territórios. Cada um puxa conforme pode a brasa para a sua sardinha. Os Açores vivem um autêntico modelo pró-sovietico alimentado por Lisboa. O peso do Estado na região é flagrante. As medidas pró-capitalistas e tremendamente economicistas introduzidas no “Continente” nada têm a ver com a estatização do nosso regime económico. A Madeira treinada pelo liberalismo saxão assente nos seus circuitos comerciais, há mais de duzentos anos, torna-se dia após dia numa verdadeira economia de mercado centrada na sua muito boa qualidade de prestação de serviços. No dizer de Jardim, a Madeira é quase auto-suficiente. E, é nesta perspectiva que ele já fez constar que a independência não é coisa fora do horizonte dos madeirenses. Se o centralismo, português estúpido e atávico, saísse de uma vez por todas da nossa existência havia de perceber que não pode haver diferença entre os portugueses das ilhas e os do continente europeu. Ou somos todos iguais em direitos e deveres ou estaremos sujeitos eternamente a este vai e vem de identidade. Se estamos longe e separados da Europa dos euros há que fazer compensação custe o que custar para manter um Portugal que se quer unido e que se consome dia após dia numa autêntica e permanente indefinição. O resultado dessa péssima política de unidade está aí à porta das nossas casas. É por isso que um chefe de governo ilhéu resolveu “referendar” a independência indirectamente, aproveitando o intrincado da Lei Fundamental e a maré daquele referendo que teve lugar ainda há pouco tempo entre nós. No caso de Jardim ganhar novamente a sua quadragésima eleição, eis o que me parece irá acontecer: a) - um combate previsível e sem tréguas contra o Governo Central com muitos custos para a unidade nacional portuguesa; b) - apresentação da candidatura da independência da Madeira à União Europeia sob forma de protesto da imposição de Portugal de um modelo desajustado à vivência de um povo com características particulares, se não for dado o dito pelo não dito; c) - acusar Portugal no Tribunral Europeu dos Direitos do Homem de abuso colonialista tendo em conta o desrespeito pelo não acatar as leis por si aprovadas e concertadas que o obrigavam a canalizar verbas de apoio à Madeira, sem auscultar o sentir da população. No plano interno e a acrescentar a estes propósitos implícitos, teremos uma campanha eleitoral nunca vista e que irá fragmentar ainda mais a sociedade madeirense. Aguardemos o que será dito no Chão da Lagoa. Não haverá, como se calcula, sermões à laia do Padre António Vieira…

mmb

Comments:
No caso de Jardim não sei se ele é canonizável ou canhãonizável.
 
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