Sunday, March 11, 2007

 


AS INVESTIGAÇÕES EM PORTUGAL SÃO MUITO REDONDAS

Limito-me apenas a constatar que as comunidades quer sejam pequenas quer sejam grandes estratificam-se em diferentes classes sociais por mais revoluções que se façam no sentido de as igualizar. De um lado aparecem os grandes crânios orientadores, do outro, os pequenos crânios que são pertença de uma maioria. Esta maioria é composta por uma ralé que parece ser biopsicologicamente programada. É crédula, resiste ao desenvolvimento intelectual, vegeta quando em digestão. Os seus interesses estão relacionados com o imediato: a mesa e o consumismo. Dêem-lhe disto e podem os governantes estar descansados que não é preciso mais para que a estabilidade assente arraiais. Enquanto come, a “besta” está distraída. Quanto ao consumismo, torna-se essencial organizá-lo. Desde a compra de objectos inúteis até ao espectáculo os políticos estão atentos para que nada lhe falte. Em Portugal, para efeitos de estabilidade social, mormente no que diz respeito à classe dos grandes crânios, o executivo alia-se a outro órgão de soberania: os tribunais. Para manter a paz social, o Estado Novo tinha como maior aliado os juízes. Estes não cuspiam nas mãos para enviarem para a cadeia, e por alguns anos, qualquer um que opinasse livremente contra os fascistas. Os juízes responsáveis pelos tribunais plenários foram, ao tempo, tão fascistas quanto Salazar, Caetano, Cardeal Cerejeira, PIDE, Legião Portuguesa, Mocidade Portuguesa, Igreja Católica, etc. Os juízes foram, sem tirar nem pôr, os verdadeiros carrascos do salazarismo. Uma tristeza. Nos dias de hoje, apesar de não os vermos como “braço armado” dos governos, não deixam de ser manipulados por estes. Quando é preciso espectáculo, eis os tribunais a abrir os telejornais e a cobrirem as primeiras páginas dos jornais. Tudo fica na praça pública para, num espectáculo de diversão, alegrarem a besta sedenta e sanguinolenta. Os tribunais têm sido os bombeiros de serviço a esta “democracia de políticos”. Morta a Amália, inutilizado o Eusébio para o chuto (na bola), quem mais tem proporcionado espectáculo para distrair o povoléu da verdadeira política portuguesa? Estava a malta entretida com a Casa Pia, quando esta começou a perder o interesse. Estavam descobertos os pedófilos e os seus cúmplices. Uma verdadeira chatice! Os pedófilos portugueses não eram como os seus homólogos belgas. Estes, sim! Matavam as crianças. Sem crime de sangue, era uma vez a série Casa Pia. Lá se foi o protagonismo de alguns. Para a substituir eis que surge o Apito Dourado. Dezasseis mil horas de escutas sobre conversas entre árbitros, putas e dirigentes. Os dirigentes tinham amantes. As putas iam aos árbitros (nos hotéis). Depois, os árbitros não viam a bola. Dezasseis mil horas de escutas para os levar à barra do tribunal. Centenas horas de reuniões entre inspectores, magistrados e funcionários da privada e públicos. Investigações de noite e de dia. Disponibilidade de meios técnicos e humanos para acompanharem os passos dos suspeitos. Só as dezasseis mil horas representam quatrocentas e quarenta e quatro semanas de trabalho de dois inspectores. Não fazendo contas a horas extraordinárias, só as horas normais custaram ao povo quase quinhentos mil euros. O Apito Dourado, enquanto entreter a ralé e permitir que esta súcia de políticos que nos governa esteja nas suas sete quintas negociando os restos que ainda temos, vai durar até aos ossos depois de nos ter papado até ao tutano. Os tribunais, tal é a ingenuidade, caíram mais uma vez na ratoeira. Quando, há tempos, uma criança, filha de uma mulher de nome Leonor Cipriano, desapareceu, houve, de facto um movimento humanizado tanto da parte das polícias de investigação como do Magistério Público a fim de a encontrarem. Durou pouco tempo a investigação e a condenação foi rápida. A mulher não assumiu o crime. Porém, foi condenada. Com esta investigação gastou-se uma serrilha e meia. Serviu o circo e pronto. Teria sido exaustiva e completa a investigação? Não o creio. A questão é simples: gastar dinheiro com isso… Desaparecem todos os anos algumas crianças e não vejo disponibilizar meios técnicos e humanos para a boa solução dos problemas criados com o seu desaparecimento como se tem feito com o Apito Dourado e outras tretas do género. A ralé tem pouco interesse pelos filhos dos outros. A PJ invadiu quatro bancos à procura de desmandos económicos. Nunca mais se ouviu falar do assunto e não sabemos em que pé estão as investigações. O importante, agora, é o Apito Dourado. Interessa mais à besta. Magistrados altamente qualificados na luta contra o crime foram desviados para a caça do som de um apito que por “acaso” não se fez ouvir. Estão brincando com a ralé? Nada disso! Ela merece! Está programada biopsicologicamente para ser estúpida. É a besta dos tempos modernos.
PS:
Imagine-se o dinheiro gasto pelas autoridades judiciárias, policiais e de vigilância na bisbilhotice que fazem diariamente a todos os cidadãos. A nossa vida está toda em pacotes informativos e à mão de semear. No tempo do saudoso ditador, o bondoso Prof. Salazar, a PIDE também tinha relatórios sobre a vida íntima de cerca de um milhão de cidadãos portugueses. Mas, esses relatórios eram feitos à manápula e serviam fins atentatórios da dignidade humana... Os tempos mudam e as técnicas também. Os políticos, esses, são os tais que fazem a besta ser besta.
manuelmelobento

Comments:
E, como muito se alambazam, vegetam eternamente. Mas esta
(dis)função democratizou-se.
 
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