Tuesday, April 03, 2007

 

DOUTORES…

Toda a gente é chamada a opinar sobre os estudos e os diplomas do Primeiro-Ministro. O Professor Marcelo Rebelo de Sousa foi um deles. Na sua qualidade de fazedor de opinião fez valer a sua (douta) sobre o que devia fazer o chefe do executivo, perante o alevante da comunicação. Esqueceu-se que devia escusar-se a tais comentários, uma vez que ele, logo após o 25 de Abril, foi "cúmplice" do PREC. Passo a explicar: os alunos que iam à oral na sua cadeira (eram quase todos, à excepção dos que perdiam o combóio de Sintra…) passavam todos. Para o auxiliar a fazer os exames de oral na cadeira (ninguém chumbava na escrita…) que leccionava na Faculdade de Direito de Lisboa, o Professor Marcelo tinha como adjuvante na atribuição das notas, nada mais nada menos que o guedelhudo representante maoísta Durão Barroso, então aluno do lº. ano. Formado também em direito, posteriormente, com muito mérito e louvor. O Professor precisava do consentimento do então revolucionário para fazer transitar de ano, ou vice-versa, aqueles que examinava. Se não obedecesse ao grupo de Durão iria para o olho da rua como qualquer fascista que se prezasse. Quantos analfabrutos deixou passar de olhos fechados e obrigado por Durão? Isso já prescreveu! Deixou de ser ilegal. Passemos adiante, mas (entretanto) voltemos atrás um todo nada. O Professor Marcelo mais o seu colega Braga de Macedo (ex-Ministro das Finanças posto na rua por Paulo Portas/jornalista) arrancaram no seu curso (quando estudantes) notas altíssimas: dezanove valores. Marcelo era filho de ministro fascista e afilhado de Marcelo Caetano – director da Faculdade de Direito - e Braga era filho de um outro grande fascista do regime do saudoso e muito querido ditador Salazar, o Inquisidor Prof. Borges de Macedo. Entre milhares e milhares de alunos estes dois é que arrancavam as notas do topo. Milagres! Papá ministro e papá professor doutor, as notas tinham de ser de excepção Os outros pertenciam a um estatuto médio ou inferior. Só estas duas crias é que eram o máximo da inteligência nacional... Por exemplo, Mota Amaral que foi sempre um estudante muito mais brilhante e com muito mais intelecto do que estes dois arrancava notas abaixo. Em Letras, por exemplo, uma tal Patrício Gouveia arrancava 16 valores (o topo em Letras) com outro grande fascista de nome Dom Fernando, que leccionava Civilização Romana. A menina era conhecida da família do fidalgo (que nem curso de História tinha – acho que era médico) e raramente ia às aulas. Não discuto as suas capacidades, mas acho muita leiteira e muita coincidência. O futuro encarregou-se de confirmar as suas altas qualidades intelectuais de salão. No tempo do Estado Novo (1961/62) quando os alunos tomaram conta do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, atribuíram notas a si próprios, ao ponto de nenhuma empresa da privada os contratar como colaboradores. Não tenho elementos à mão (a memória já me falta) para referir as opções do Estado sobre esta matéria. Qualquer curso adquirido no estrangeiro não valia uma caganita de rola. O Estado Novo não dava equivalências. E se tal aconteceu, por vezes, isso deveu-se a não haver especialidade correspondente no país. Após os cravos vermelhos as Universidades privadas e as do Estado cresceram como cogumelos. Os portugueses precisavam de títulos, pois sem estes não passavam de empregaditos de escritório ou balconistas, o que ninguém gostava de ser. Ao mesmo tempo que se criaram dezenas de universidades apareciam centenas e centenas de escolas. Havia escolas, mas não havia professores. Chegou-se ao ponto de pessoas que nem tinham o 5º. Ano (nono actualmente) serem admitidas para leccionar. Nas universidades passou-se qualquer coisa parecida. Se levantarmos o tapete por esse país fora encontramos mais doutorados da merda do que percevejos ou baratas. É o nosso país! Foram formados à pressão e sem critérios a não ser o do compadrio. Descobriram que o Primeiro-Ministro tinha um certificado passado num domingo. Oh, que coisa! E se eu testemunhar uma prova que foi realizada numa casa de banho? Penso e julgo que um certificado de uma privada datado num domingo tem mais qualidade… Se avançarmos um todo nada, havemos de encontrar médicos que só num ano fizeram mais de uma dezena e tal cadeiras em pouco mais de sete meses. Em História, foi o mesmo e mais forte. No meu curso e noutros foi como roqueiras. Houve quem tivesse tirado cursos no estrangeiro e por milagre se fez Mestre e Doutor e equivalentes sem terem de prestar provas. O próprio Prof. Cavaco doutorou-se no estrangeiro. Como adquiriu a equivalência? Pelas vias oficiais, está claro! Creio eu. Quem tivesse amigos nos Conselhos Científicos das Faculdades ou Universidades via a sua vida facilitada. Outros levaram com os pés. Conheço, pelo menos um caso. Os professores primários habilitados com o 5ª Ano e dois anos de Magistério passaram a ser bacharéis – título que só as Universidades passavam. Depois, bastava matricularem-se num Instituto (o de Viseu, por exemplo) e passados seis meses estavam licenciados. Conheci um montador electricista que um dia foi prestar serviço num estabelecimento de ensino e a directora perguntou-lhe se queria dar aulas na disciplina de Trabalhos Manuais. Ele respondeu dizendo que só tinha um diploma tirado numa Escola Industrial. Era o suficiente! Passados meia dúzia de anos estava licenciado/equiparado e a dar aulas sem nunca ter posto os pés numa Universidade. Ficção? Nada disso! A Lei de Bases do Sistema Educativo permitiu. Houve uma Revolução Cultural, é preciso não esquecer. Houve um assalto às instituições, o que é que se esperava. Hoje, pode-se adquirir uma licenciatura em Direito Comunitário, válida para toda a UE, através da Internet. Através da mesma podem-se doutorar em diversos cursos os que se inscreverem em Universidades com créditos europeus e abertas às novas tecnologias. Consulte-se, por exemplo, algumas Universidades do Reino Unido! Que faz um doutorado em Filosofia e outras tretas da mesma ordem, por exemplo, nos dias de hoje, com o seu diploma? Só serve para pendurar numa parede. Ah, e para pedirmos aos empregados de café que nos tratem por doutor! É à portuguesa. É a figura de estilo! Como irá acabar a saga que envolve o Primeiro-Ministro? A comunicação não o larga. Deverá pronunciar-se perante a nação? Deverá explicar passo por passo como fez a primeira classe, a segunda e por aí adiante? Se o fizer cai na esparrela das contradições e do ridículo. Se o não fizer corre o risco de prolongar a saga que alimenta uma desenfreada bisbilhotice e a sua provável queda e agonia. É assim que procede a comunicação social. Só lhe resta uma terceira via… Porém, com os assessores que arranjou não vai longe.
manuelmelobento

Comments:
Na minha Coimbra embolorada e cheia de vícios (felizmente) consta que um dia perguntaram a um dótor se sabia ler.
 
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